Um Auto de Gil Vicente · Almeida Garrett

Bússola do Auto

Um programa de leitura para percorrer a peça, ato a ato e cena a cena.

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Um Auto de Gil Vicente é a primeira peça de teatro de Almeida Garrett, estreada em 1838. Escrita já no Romantismo, a peça presta homenagem a Gil Vicente, o fundador do teatro português, ao recriar o momento (histórico e inventado) em que este teria preparado e representado o auto Cortes de Júpiter por ocasião do casamento da infanta D. Beatriz com o duque de Saboia, em 1521.

À volta dessa representação, Garrett tece uma segunda história, puramente romântica: o amor impossível entre a infanta D. Beatriz e o poeta Bernardim Ribeiro. É esse entrelaçar de teatro dentro do teatro (metateatro) que torna esta obra tão rica para analisar cena a cena.

Quanto ao género, é um drama romântico: drama de caráter histórico, que cultiva sentimentos intensos, mesmo violentos, típicos do Romantismo (a rebeldia, a liberdade, o patriotismo, a religiosidade, a valorização do indivíduo) e que segue as características da tragédia, exagerando alguns dos seus traços. Veja o separador Drama e tragédia.

  • 1Use os separadores para saltar entre a Introdução, os três atos, as personagens, os temas e o estilo, o drama e a tragédia, as simbologias, os exercícios e o dicionário.
  • 2Em cada ato, toque num cartão de cena para abrir o resumo, a citação-chave e uma nota de leitura.
  • 3Os números de cena correspondem aos da peça; algumas cenas muito breves estão agrupadas num único cartão.

O percurso da peça

De ato para ato, o espaço fecha-se: do pátio aberto de Sintra à sala do trono em Lisboa, até à recâmara fechada de um navio.

Ato I

Sintra

crepúsculo da madrugada

Ato II

Lisboa

início da noite seguinte

Ato III

Galeão Sta. Catarina

madrugada do 3.º dia

Pátio exterior → sala do trono → camarim a bordo: do mais público ao mais secreto.

Três datas, um Auto

  • 1521Gil Vicente representa as Cortes de Júpiter na partida da infanta D. Beatriz para casar com o duque de Saboia.
  • 1838Garrett escreve e estreia Um Auto de Gil Vicente, a peça que quer ser a «pedra» do teatro nacional.
  • 1846Inaugura-se no Rossio o Teatro Nacional D. Maria II, projeto de Garrett.